Saturday, March 03, 2007

Chick flick no seu pior - II

Acabei de empacotar os livros, a papelada do escritorio, os gadgets, cabos de ligacao de tudo a tudo (ou quase tudo), os CDs, os cartoes de visita, os postais, as fotos ainda do tempo em que se mandavam imprimir. A meio tive de mudar a estacao da pandora, porque fiz login e deixei a tocar o que quer que fosse que estava no topo da lista; era "Rosa Passos station" e as vozes suaves, os poemas lindos e sofridos estavam-me a dar uma neura tamanho XXL. De que me vale estar agora a ouvir "Eu nao existo sem voce" ou a Adrianna a pedir que lhe sejam devolvidas as cartas e o retrato ("devolva-me" - esta coisa da Pandora, onde de vez em quando tocam assim umas coisas que nos chegaram antes de outra maneira e nao por um "music genome project" frio e impessoal, e' no minimo spooky). Anyway, agora esta a tocar a "Daniela Mercury station", muito mais n'sync com a actividade em causa.

Confesso, roubei um livro ao S.; retiro o que disse, pedi emprestado in absentia, tenho intensao de o devolver mas algo me diz que talvez faca antes um auto-da-fe com ele. Imagine-se o especime mascarado de biblia: encadernado a napa preta (barata), com uma daquelas fitinhas vermelhas de marcar as paginas e a espessura pintada a tinta dourada "brega" [Este "brega "e a palavra-resquicio dum blog novo (fantastico) que comecei a ler, link para um post delicioso]. O nome do bicho em questao: "The Game - penetrating the secret society of pickup artists" do Neil Strauss, supostamente um "New York Times bestselling author". Desconfio dos New York bestselling authors todos, dos Oprah book club whatever, mas estou curiosa (cientificamente falando, claro) porque quando este livro chegou da Amazon (num caixote enorme, acompanhado de varios livros sobre sexo - coitado do S., acho que este tempo de domestic partnership lhe fez mal a confianca, ainda me lembro do sorriso trocista e mauzinho com que o presenteei, quando, devidamente autorizada, fiz a inspeccao do tal caixote, a ver se havia algo que me enchesse o olho) foi o unico livro que me foi recusado desfolhar. Chateei-me rapidamente dos outros (sem antes gabar mentalmente o bronzeado perfeito dos modelos, a graciosidade das poses, os angulos artisticos, as curvas bonitas) e vi recusado novo smallest peek. "If you read this book, you'll never believe anything a guy tells you, you'll always be standoffish, thinking all guys are jerks...". Gaja que e gaja cut-throat teria logo disparado um "Well, I guess I don't need to read that book then, I already think those things without being in the loop with all the ins and outs of the "game", THERE!". Mas eu ja tenho idade para ter juizo e tento nao dizer estas coisas azedas proprias das gajas jaded sem-sucesso-no-match-dot-com que, sem saberem dos meus desaires amorosos, ainda me usam como conselheira de relacoes. Moi meme. Umas semanas depois, ja eu farta de ouvir risinhos abafados e ver cantos de paginas a serem dobrados (o correspondente em S. aos sublinhados em M.) veio finalmente a bencao porque "there's stuff in here that is actually very helpful". Se e helpful ou nao nao sei porque nunca mais peguei no dito cujo. Agora que finalmente fiz a limpeza das prateleiras da minoria escrita em Portugues de Portugal, do Brasil e de Mocambique e da maioria dos titulos em Ingles (ainda que alguns tenham alma Portuguesa), dei de caras com a biblia de trazer-por-casa. Ocupara o seu lugar no fim da minha lista.

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